Falar sobre Coimbra não é fácil sem que se sinta alguma emoção.
Quem conhece esta “sempre menina e moça” cidade dos estudantes e aqui passou algum tempo da vida, ou estudou na sua secular Universidade, sabe como Coimbra “é uma lição, de sonho e tradição”, que nos deixa saudosas recordações!...
De ruas estreitas, especialmente na chamada “Baixinha”, a toponímia medieval ainda se mantém em muitas delas. São exemplos, entre outros, a Rua dos Oleiros, a Rua das Azeiteiras, o Paço do Conde, a Rua dos Sapateiros, a Rua da Moeda, a Rua das Padeiras, e outras, com designações derivadas das actividades económicas de então.
Ainda hoje podemos passear por essas ruas estreitas, pátios, escadinhas, ou admirar os seus arcos medievais e as suas calçadas antigas, algumas renovadas nos tempos modernos, mas mantendo a sua tipicidade original.
Quantos não recordam lugares como Jardim da Sereia, o Penedo da Saudade, a Fonte dos Amores, as matas do Choupal e de Vale de Canas, o Jardim Botânico... enfim, vários e românticos espaços que tantas recordações e saudades deixaram a quem um dia os conheceu!...
... "Coimbra foi a primeira capital do reino, onde se fixou D. Afonso Henriques, pouco depois da célebre Batalha de S. Mamede (1128), situação que se manteve durante quase dois séculos.
Coimbra foi berço de nascimento de seis reis de Portugal e da Primeira Dinastia, assim como da primeira Universidade do País e uma das mais antigas da Europa.
Desde meados do século XVI que a história da cidade passa a girar em torno à história da Universidade de Coimbra, sendo apenas já no século XIX que a cidade se começa a expandir para além do seu casco muralhado, que chega mesmo a desaparecer com a reformas levadas a cabo pelo Marquês de Pombal. Foi, no entanto, a Universidade que a moldou, a enobreceu e propiciou um núcleo urbano pleno de edifícios notáveis.
A primeira metade do século XIX traz tempos difíceis para Coimbra, com a ocupação da cidade pelas tropas de Junot e Massena, durante a invasão francesa e, posteriormente, a extinção das ordens religiosas. No entanto, na segunda metade de oitocentos, a cidade viria a recuperar o esplendor perdido – em 1856 surge o primeiro telégrafo eléctrico na cidade e a iluminação a gás. Em 1864 é inaugurado o caminho-de-ferro e 11 anos depois nasce a ponte férrea sobre as águas do rio Mondego”... (*)
É uma cidade rica em arte arquitectónica antiga, de que são exemplos a Porta Férrea e a parte velha da Universidade, além de tantos outros como: o Arco e a Porta de Almedina, os Arcos do Jardim; os Conventos de Santa Clara, de Santa Maria de Celas e de São Francisco; as Igrejas de Santa Cruz, de Santa Justa, dos Olivais, de São Bartolomeu, de São Salvador e de Santiago; a Sé Velha, o Palácio da Justiça; a Torre da Anto, a Quinta das Lágrimas... (**)
Coimbra é, enfim, uma cidade com uma mística muito "sui generis", não apenas pelo seu passado histórico mas, em grande parte, pela sua antiga Universidade, fundada por D. Dinis, que foi sempre um pólo de atracção onde muitos jovens almejaram cursar. Jovens oriundos das mais diversas regiões do país, como até de outras origens – nomeadamente de Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Brasil...etc., ainda hoje espalhados pelos vários cantos do Mundo, que aqui passaram alguns anos da sua juventude e aqui tiveram os seus sonhos, os seus amores, folguedos e esperanças.